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Em 2024, foi jogada a Copa América, nos Estados Unidos. Entre preparação e realização, o certame consumiu nove semanas. Foram nove semanas em que os clubes brasileiros continuaram jogando e, assim, mais de 30 jogadores – cedidos às seleções nacionais – não puderam disputar o Campeonato Brasileiro, a “joia da coroa” de nosso calendário, nesse período. Não é nada razoável que assim seja. Há duas soluções possíveis. A primeira delas é interromper as competições de clubes sempre que houver as competições da FIFA ou da CONMEBOL em meados do ano, permanecendo o calendário gregoriano atual (de Janeiro a Dezembro). Não parece eficaz, pois interromper certames, para depois reiniciá-los, não é algo profissional. A segunda delas é a adoção do calendário europeu no futebol brasileiro (de Julho de um ano a Junho do ano seguinte), que aqui se defende que seja uma solução adequada. São cinco os motivos para a adoção do calendário europeu no futebol brasileiro:
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É notória a necessidade de se reformular o calendário do futebol brasileiro! Este escriba estuda o assunto há quase 40 anos, e se acostumou, ao longo deste tempo, a ouvir a mesma frase – “o calendário é o principal problema do futebol brasileiro!”. De lá para cá, foram livros publicados, textos publicados em mídias como “Época”, “Gazeta Mercantil”, “Jornal do Brasil”, “Lance!”, “Lance! Digital”, “Universidade do Futebol”, dentre outros. Nesse tempo todo, houve apenas um avanço, em relação ao calendário do futebol brasileiro: a adoção do Campeonato Brasileiro em turno e returno e pontos corridos. Importante, mas absolutamente insuficiente! É preciso reformular. E, quanto mais rápido essa reformulação vier, tanto melhor. Para que isso aconteça, sete premissas são importantes. A primeira premissa é que se torna essencial adequar o calendário do futebol brasileiro ao calendário do futebol europeu (Julho de um ano a Junho do ano seguinte). Há diversas motivações para isso, como a ampliação de ofertas de datas para jogos, a melhor adequação às “janelas” de transferências, a oportunidade dos clubes não ficarem desfalcados de jogadores essenciais em datas reservadas às seleções, a contemplação da necessidade do Campeonato Brasileiro ser jogado apenas aos finais de semanas (ou algo próximo a isso), a possibilidade de clubes brasileiros fazerem intercâmbio com clubes europeus, etc. A segunda premissa é que o Campeonato Brasileiro, em suas diversas divisões, deve ser jogado ao longo da temporada inteira – ou seja, de Agosto de um ano a Maio do ano seguinte, preferencialmente aos fins de semanas. Como a principal competição que envolve clubes do futebol brasileiro – a “joia da Coroa” – este certame deve ser valorizado, ocupando as principais datas do calendário, exatamente os fins de semanas. A terceira premissa é que as Datas FIFA sejam dedicadas exclusivamente às seleções ou, em termos de utilização pelos clubes, que sejam para a disputa de competições periféricas. Competições periféricas, no futebol brasileiro, são os Campeonatos Estaduais – que, mesmo sendo periféricos, desempenham importante papel para a formação de jogadores a partir de clubes de menor investimento em nosso futebol. A quarta premissa é que jogadores de clubes maiores devem jogar menos. Isso envolve um limite de jogos que cada jogador deve disputar ao longo da temporada, o que propicia melhor desempenho para estes jogadores. A quinta premissa é que clubes de menor investimento devem jogar mais. Se não todos eles, pelo menos boa parte deles. A sexta premissa é que deve haver uma elite de clubes que deve ter jogos a temporada inteira. Se não todos os clubes, precisamente 128 clubes devem estar nessa situação. A sétima premissa é que, para cumprir as outras seis premissas, os Campeonatos Estaduais devem ser repensados. A maneira de repensá-los é um ótimo exercício de reflexão. Tratando-se de forma adequada dessas sete premissas – como se verá nos próximos textos – há a perspectiva de um calendário melhor para o futebol brasileiro.
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Entidades Desportivas
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Janeiro 2026
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