|
Errar ainda é visto por muitos como sinal de fraqueza ou incapacidade. No entanto, do ponto de vista psicológico, o erro é um dos marcadores mais claros de engajamento com o processo de crescimento. Quem está tentando evoluir, seja no esporte, nos negócios ou na liderança, inevitavelmente vai se deparar com falhas. Para Edsomndson (2018), o problema não está em errar, mas em evitar o risco por medo do julgamento. Ambientes que punem o erro tendem a gerar estagnação, enquanto ambientes que permitem a experimentação favorecem aprendizado, inovação e desenvolvimento de competências complexas. O erro não é o oposto da alta performance, a estagnação que é. De acordo com Duckworth (2016) o cérebro se desenvolve a partir do confronto com desafios e da correção de falhas. Esse processo ativa mecanismos de adaptação e refinamento de habilidades. Pessoas que evitam errar normalmente permanecem na zona de conforto, repetindo padrões conhecidos, enquanto aqueles que se expõem ao novo constroem repertório, flexibilidade e inteligência emocional. Errar, portanto, é um indicador de movimento, de ação e de ambição por algo maior. A alta performance não é perfeição, é maturidade emocional. É a capacidade de reconhecer rapidamente o que não funcionou, ajustar a “rota” e voltar melhor. Fletcher (2012), destaca que pesquisas sobre resiliência mostram que indivíduos de alto rendimento não são aqueles que evitam falhas, mas aqueles que respondem de forma construtiva às adversidades. Eles interpretam o erro como informação, não como sentença. Esse tipo de mentalidade fortalece a autoconfiança baseada em competência real, construída na prática e na superação de obstáculos. No esporte, nos negócios e na vida, o erro revela onde estão os limites atuais e aponta caminhos de evolução. Atletas e profissionais que desenvolvem estratégias de autorregulação emocional conseguem recuperar o foco mais rapidamente após falhas, mantendo desempenho consistente mesmo sob pressão. Para Weinberg e Gould (2017). Em vez de se prenderem ao erro, utilizam-no como dado para ajuste técnico, tático ou comportamental. Assim, o erro deixa de ser ameaça à identidade e passa a ser ferramenta de aperfeiçoamento. Portanto, na próxima vez que errar, antes de se criticar excessivamente, faça uma pergunta diferente, “o que esse erro está tentando me ensinar”. Crescer dói porque exige sair do automático, porque mostra onde ainda não somos fortes. Evoluir exige coragem porque demanda ação mesmo com risco. Errar não é errado. Errado é desistir de evoluir (Edmondson, 2018). Um forte abraço à todos, Paulo Penha!!! Para qualquer dúvida, Paulo Penha está à disposição por meio do Whatsapp no número (41) 99108-4243. Referências Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. Freeman. Duckworth, A. (2016). Grit: The power of passion and perseverance. Scribner. Edmondson, A. (2018). The fearless organization. Wiley. Ericsson, K. A., Krampe, R. T., & Tesch-Römer, C. (1993). The role of deliberate practice in expert performance. Psychological Review, 100(3), 363–406. Fletcher, D., & Sarkar, M. (2012). A grounded theory of psychological resilience in Olympic champions. Psychology of Sport and Exercise, 13(5), 669–678. Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. Springer. Weinberg, R. S., & Gould, D. (2017). Foundations of sport and exercise psychology (6th ed.). Human Kinetics.
0 Comments
|
Formação de Atletas
Área reservada para a discussão de temas sobre a pedagogia, a psicologia, o treinamento e as demais áreas da formação de atletas
Histórico
Fevereiro 2026
Categorias |